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Território do Saber: Orientação de Estudos e Invenção Criativa
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1. Apresentação
No Território do Saber Orientação de Estudos e Invenção Criativa, estudantes e professores(as) são convidados(as) a criar ambientes propícios à aprendizagem, valorizando a autonomia e o protagonismo dos(as) estudantes para planejar e organizar momentos de estudos.
A experimentação de estratégias pedagógicas de forma inovadora e criativa estimula que os(as) estudantes reflitam sobre a construção do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades no processo de “aprender a aprender”, vivenciando momentos de autoavaliação e reconhecimento de processos metacognitivos que serão estimulados individualmente ou em grupo. Nesse sentido, habilidades como autogestão, autonomia, resolução de problemas e responsabilidade são estimuladas a partir da busca de soluções originais para a composição da trajetória de estudos e criação de projetos inovadores.
Ao propiciar tempos e espaço de estudo orientado, a escola tem a oportunidade de identificar as necessidades de recuperação contínua dos(as) estudantes a partir de um diagnóstico, fortalecendo os processos de aprendizagem de maneira transversal e integral, garantindo um acompanhamento que resulte no desenvolvimento pleno dos(as) estudantes.
Orientação de Estudos
A orientação de estudos propõe que os(as) estudantes tenham um espaço planejado e estruturado para estudar, pesquisar e aprender. São momentos nos quais os(as) estudantes poderão desenvolver habilidades de autopercepção, organização, gestão do tempo e autonomia, conhecendo estratégias que possam apoiá-los(as) nas suas aprendizagens ao longo da vida.
“Do ponto de vista do desenvolvimento, a adolescência é um período em que os estudantes já estão com o pensamento abstrato e conceitual mais desenvolvidos, portanto, conseguem refletir de forma mais assertiva sobre sua aprendizagem e seus processos cognitivos. É o momento também em que se consolidam as partes do cérebro responsáveis pelas funções executivas – habilidades cognitivas de alto nível ligadas ao planejamento, à organização, à tomada de decisões, ao controle de impulsos e ao monitoramento do próprio comportamento” (INSTITUTO REÚNA, 2023).
Assim, na orientação de estudos, são trabalhadas práticas e metodologias que ajudam os(as) estudantes a reconhecer seus interesses, desafios e formas de aprender, criando percursos de aprendizado significativos, ao passo que os(as) professores podem trabalhar mais próximos(as) de seus(suas) alunos(as), desenvolvendo aprendizagens de forma interdisciplinar.
Por ser transversal, a orientação de estudos dialoga com as dez competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas algumas competências serão mais evidenciadas, como curiosidade intelectual, reflexão, análise crítica, competências socioemocionais e da autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação.
Invenção Criativa
No Território do Saber Invenção Criativa, ambientes propícios à aprendizagem e à criatividade podem ser gerados numa atmosfera em que a curiosidade e a inovação estejam de mãos dadas. Diante de uma realidade cada vez mais complexa e tecnológica, a invenção criativa busca proporcionar um espaço no qual os(as) alunos(as) possam experimentar, errar, criar e inovar, desenvolvendo o pensamento crítico e inventivo, essenciais para o enfrentamento dos desafios contemporâneos.
Os(as) estudantes são estimulados(as) a explorar ideias originais e desenvolver soluções inovadoras para desafios cotidianos, que podem ser de caráter social ou prático. Para isso, o uso de diferentes tecnologias, que podem ser digitais ou analógicas, devem ser recursos de criação, estimulando o raciocínio lógico e a resolução de problemas.
O(a) professor(a) poderá trabalhar com as metodologias ativas para estimular a aprendizagem, provocando o desenvolvimento de projetos, oficinas práticas e desafios que permitam que os(as) estudantes aprendam de maneira colaborativa, desenvolvendo habilidades como a empatia, a comunicação e a cooperação.
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Experiências pedagógicas – Territórios do Saber
A expansão curricular na Educação Integral é oferecida por meio dos Territórios do Saber, propondo experiências pedagógicas que integrem o cuidar e o educar em diferentes ambientes, priorizando a exploração e a investigação articuladas à intencionalidade docente para promover a formação integral dos(as) estudantes
No Território do Saber “Orientação de Estudos e Invenção Criativa”, as experiências são:
a) Conhecimentos matemáticos e científicos: raciocínio lógico, clube de matemática, clube de ciências/investigação, pequenos inventores, robótica;
b) Fortalecimento das Aprendizagens destinadas ao aperfeiçoamento de estudos e recuperação contínua baseada em diagnóstico realizado pela unidade educacional sobre a necessidade do aprofundamento, considerando o aspecto lúdico e criativo como base para a proposta.
Fonte: SÃO PAULO, 2024.
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2. Dicas práticas
Sugerimos algumas estratégias pedagógicas que podem contribuir com a articulação dos Territórios do Saber aos potenciais educativos do território. Os mapeamentos realizados pelas escolas são uma referência para o planejamento de Trilhas de Aprendizagem que estejam contextualizadas a partir de diferentes realidades e que potencializam a vivência dos(as) estudantes durante a exploração de locais e diálogo com os saberes locais.
- Identifique e acesse locais e pessoas de referência no tema no entorno da escola;
- Organize grupos reduzidos de modo a ter mais segurança durante a circulação dos(as) estudantes. Recursos disponíveis, como a perua escolar, podem colaborar nas saídas;
- Convide os(as) familiares para apoiarem as saídas, afinal, a experiência de ocupar a cidade é para todos(as);
- Faça um levantamento de interesses prévios dos(as) estudantes acerca de temas que gostariam de pesquisar e construa a intencionalidade pedagógica do percurso favorecendo o conhecimento em áreas diferentes;
- Estimule a pesquisa autoral dos(as) estudantes, valorizando os interesses pessoais;
- Convide os(as) estudantes a conhecer mais sobre “métodos de pesquisa”, oportunizando a ampliação do repertório teórico/acadêmico, e desenvolva um plano de trabalho;
- Proporcione experiências de investigação dos desafios enfrentados no território e o desenvolvimento de soluções, buscando alternativas criativas para a promoção das melhorias necessárias;
- Estimule a criatividade pesquisando com os(as) estudantes inovações, como recursos de Inteligência Artificial (IA) e Linguagem STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática — abordagem integrada e interdisciplinar para enfrentamento de problemas);
- Favoreça experiências práticas, como a visita a Centros de Tecnologia e Pesquisa, que possam proporcionar aprendizagens técnicas e tecnológicas;
- Busque parcerias com instituições que desenvolvam produtos tecnológicos, como games e aplicativos, e promova um bate-papo com os(as) estudantes.
3. Passo a passo:
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1º passo: Planejar
Este é o passo inicial para a elaboração do planejamento docente da trilha, ou seja, as iniciativas que irão anteceder as atividades com os(as) estudantes. Para esta etapa, sugerimos algumas ações importantes:
- Explorar o mapeamento dos potenciais educativos do território. Esse pode ser o tema de uma reunião/formação coletiva de planejamento;
- Levantar com a equipe docente o que já conhece ou ainda não a respeito dos potenciais educativos do território;
- Organizar a atividade de formação em espaços do território. Essa é uma boa oportunidade para proporcionar vivências práticas que aproximem a escola do território;
- Por fim, acessar a Estante virtual, que reúne materiais, como livros, pesquisas, publicações, vídeos, podcasts, entre outros, que podem auxiliar as ações nos territórios
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2º passo: Explorar
- Apresentar para os(as) estudantes a proposta de realizar uma trilha para explorar os potenciais educativos do território a partir do levantamento de temas de interesse;
- Após o levantamento inicial dos temas, identificar o quanto o grupo sabe a respeito dos assuntos. Nesse momento, o(a) professor(a) poderá agrupar os temas, criando conexões entre os assuntos e estimulando, a partir da elaboração de perguntas, as possibilidades de investigação dos temas;
- Selecionar conjuntamente com os(as) estudantes o tema da trilha e definir as ações que contribuam para sensibilizá-los(as) para o tema em conexão com atividades já desenvolvidas;
- Explorar os livros que a escola já possui em sua biblioteca e sala de leitura;
- Exibir vídeos;
- Apresentar uma seleção de potenciais educativos que fazem parte do mapeamento.
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3º passo: Vivenciar
Nesta etapa, os(as) estudantes irão construir coletivamente um mapa de interesses a partir dos locais e pessoas identificados na etapa anterior. A ideia é elaborar perguntas, estimular a curiosidade acerca dos potenciais elencados e levantar as informações necessárias para a realização dos agendamentos das saídas e conversas.
É importante que, nesse momento, o(a) professor(a) realize os planejamentos a partir dos objetivos e resultados esperados para os Territórios do Saber, que precisam estar em diálogo com o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, o Currículo da Cidade – Matriz de Saberes e os ODS.
Atenção: Não se esqueça de registar todas as etapas com fotos, vídeos, desenhos, diários de bordo e depoimentos. Esses registros são importantes para a próxima etapa.
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4º passo: Disseminar
Após a circulação nos espaços, encontros e conversas, os(as) estudantes precisam organizar e analisar as informações levantadas. É o momento de estruturar uma forma de apresentar para toda a comunidade escolar o que aprenderam na prática a partir da trilha realizada. Explore diferentes linguagens como exposições, painéis, intervenções, eventos temáticos, performances, rodas de conversa com convidados etc.
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5º passo: Avaliar
Nesta etapa final, gestores(as), professores(as) e estudantes refletem sobre o processo de planejamento e execução da trilha. Essa ação é importante para garantir a qualificação das práticas educativas a partir de diversas vozes. A avaliação compartilhada é um movimento formativo do qual todos(as) participam e constroem percepção comum acerca dos aprendizados e desafios enfrentados.
- Agendar dia para realizar a avaliação. É importante reunir todas as pessoas envolvidas direta e indiretamente na atividade: estudantes, professores(as) e gestão.
- No dia da avaliação, o(a) professor(a) faz uma linha do tempo, relembrando todas as etapas da trilha. Em seguida, realiza rodadas de perguntas para os(as) participantes. As percepções relatadas devem ser registradas para que todos(as) possam visualizar os pontos abordados. A seguir, algumas sugestões de perguntas:
- O que aprendemos de novo nesta trilha?
- Quais foram os desafios? O que não deu certo?
- Como enfrentamos os desafios? Quais foram as novas ideias que surgiram durante a execução da trilha?
- Como podemos melhorar? O que podemos fazer diferente nas próximas trilhas?
- Quais ideias de temas, de percursos e de novos potenciais educativos a serem explorados em novas trilhas?
Nesse momento, é fundamental que o(a) professor(a) faça conexões com outros temas/ações/projetos que estão em curso na escola e relacione os resultados alcançados com as demais áreas do conhecimento.
Aproveite todas as reflexões geradas para promover novas discussões acerca do desenvolvimento do Programa São Paulo Integral na escola, considerando as bases da educação integral e a implementação de práticas a partir da vocação da unidade escolar e do território.
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Importante
- No início do planejamento da trilha, passos 1 e 2, realizar o agendamento prévio, pois a articulação em muitos espaços é demorada.
- Durante as saídas, garantir a segurança dos(as) estudantes com identificação (crachá/uniforme).
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: bit.ly/49iM638
INSTITUTO REÚNA. Referencial Pedagógico de Educação Integral para os Anos Finais do Ensino Fundamental: orientações, sugestões e propostas práticas para reformular a abordagem educacional voltada aos adolescentes – Arquitetura Curricular e Suas Matrizes. São Paulo: Instituto Reúna, 2023. Disponível em: bit.ly/3Y7jdEn
PORVIR – Inovações em Educação. Disponível em: https://porvir.org/
SÃO PAULO. Prefeitura de São Paulo. Currículo Digital da Cidade de São Paulo. Disponível em: currículo.sme.prefeitura.sp.gov.br
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Educação Integral: política São Paulo educadora. São Paulo: SME/COPED, 2020. Disponível em: bit.ly/47meMY4
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação (SME). Instrução Normativa SME nº 25, de 29 de agosto de 2024. Amplia a abrangência do “Programa São Paulo Integral – PSPI”. Diário Oficial do Município de São Paulo, São Paulo, 29 ago. 2024. SEI 6016.2024/0116056-7. Disponível em: bit.ly/3Bu2z96
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