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Território do Saber: Consciência E Sustentabilidade Socioambiental, Economia Solidária e Educação Financeira
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1. Apresentação
No Território do Saber Consciência e Sustentabilidade Socioambiental, Economia Solidária e Educação Financeira, os(as) estudantes e professores(as) são convidados(as) a desenvolver um olhar crítico sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente, o consumo responsável e o uso de recursos financeiros de maneira autônoma e responsável.
As práticas pedagógicas voltadas para a Consciência e Sustentabilidade Socioambiental fortalecem a importância da preservação dos recursos naturais e da promoção de práticas sustentáveis no âmbito individual e coletivo, enfatizando a interdependência da sociedade com a natureza e promovendo a formação de cidadãos capazes de contribuir para uma sociedade mais justa, inclusiva e colaborativa.
Já a Economia Solidária possibilita a ampliação da reflexão sobre consumo e sua produção, e pode incentivar os(as) estudantes a valorizar a cultura local, o respeito à natureza e a ampliar a consciência acerca das relações de trabalho mais humanizadas e coletivas.
E, por fim, a Educação Financeira prepara os(as) estudantes para justamente enfrentar os desafios econômicos, sociais e ambientais, tanto na compreensão do mundo financeiro, como para desenvolver autonomia a fim de consumir, de forma consciente, e, consequentemente, impactar na preservação dos recursos naturais, além de organizar o recurso financeiro em seu projeto de vida e para a realização de seus sonhos.
Articulando os elementos de preservação ambiental, consumo consciente e educação financeira os(as) estudantes são estimulados a vivenciar valores como solidariedade, cooperação e responsabilidade social.
Consciência e Sustentabilidade Socioambiental
“A ideia de que a Terra nos pertence é muito recente. Durante milênios, nós convivemos com ela, entendendo que éramos parte de um grande organismo. Nós não somos o centro do universo, não somos a medida de todas as coisas. É importante que a gente recupere o sentido de pertencimento a esse organismo maior que é o planeta” (KRENAK, 2019).
Consciência e Sustentabilidade Socioambiental apresenta-se como tema amplo e transversal para formação integral dos(as) estudantes. É um Território do Saber no qual diversos desafios contemporâneos podem ser abordados, incentivando uma visão holística e integrada sobre as formas de vida na Terra e como preservá-las.
A preservação do meio ambiente e a sustentabilidade são conceitos fundamentais na discussão acerca do uso responsável e equilibrado dos recursos naturais, favorecendo atitudes que garantirão que o presente e o futuro possam existir atendendo às necessidades da humanidade. Ao ser trabalhada em todas as áreas do conhecimento, promove a integração de conteúdos que abordem questões ambientais, sociais e econômicas, de maneira interdisciplinar.
O debate sobre os problemas socioambientais pode suscitar o desenvolvimento de estudos e pesquisas a respeito dos modos de vida que geram as mudanças climáticas, e o impacto sobre nossa vida como um todo, assim como a valorização da diversidade cultural e a biodiversidade para o reconhecimento de modos de vida que protegem os ecossistemas.
Todos esses temas contribuem para a consciência acerca dos desafios socioambientais de forma local e global, fortalecendo uma atitude responsável para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável.
Economia Solidária
A cada dia que passa, novas tecnologias, linguagens e ferramentas de comunicação são apresentadas e a relação das novas gerações com esses novos espaços e aparelhos tecnológicos é muito distante da relação mantida pelas gerações anteriores. Assim, as escolas têm sido cada vez mais desafiadas a lidar de maneira construtiva e não nociva com as inovações tecnológicas e de comunicação.
“O quê, quanto e como vamos produzir? Que relações de trabalho irão nortear os processos produtivos, distributivos e de consumo? Como queremos nos relacionar do ponto de vista do consumo? Que relação queremos estabelecer com a natureza para que possamos ter uma perspectiva sustentável de nossos empreendimentos?” (ESCOLA DE CIDADANIA, 2017, p.15).
A Economia Solidária está comprometida em refletir acerca das questões citadas de modo a contribuir para a formação de sujeitos responsáveis por suas escolhas cotidianas, entre elas o consumo, baseadas em princípios éticos, para melhorar a qualidade de vida de cada um(a), da sociedade e do ambiente. Segundo o Instituto Kairós 1, o(a) consumidor(a) responsável é aquele(a) que inclui uma série de questionamentos em seus hábitos de consumo, ou seja, que enxerga a relação entre as suas escolhas diárias de consumo e as questões socioambientais presentes na sociedade atual.
A partir do olhar crítico sobre os diferentes contextos sociais, econômicos e ambientais, a escola pode provocar reflexões junto aos(às) estudantes e às comunidades, incentivando o levantamento de desafios e potencialidades do território, da cidade e do país, elaborando projetos de intervenção e pesquisa que integrem componentes como história, geografia, matemática e ciências.
1 Instituto Kairós − Ética e Atuação Responsável é uma entidade civil sem fins lucrativos, fundada em 2000, que fomenta novas práticas de Produção, Distribuição, Comercialização e Consumo Responsáveis (PDCCR), através da experimentação direta, da articulação de redes e de políticas públicas, além da produção e disseminação de conhecimentos em prol da construção de uma sociedade mais justa, sustentável e saudável. Site: https://institutokairos.net/kairos.
Educação Financeira
Estudar Educação Financeira vai muito além da matemática. É, sobretudo, provocar os(as) estudantes a refletir sobre os comportamentos individuais e coletivos que estão relacionados ao dinheiro. Abordar a compreensão do mundo financeiro implica desenvolver uma visão crítica, por exemplo, para a publicidade e, com isso, consumir de maneira mais consciente, impactando na preservação dos recursos do planeta. Outro aspecto é a organização do dinheiro tanto para a concretização de sonhos como para ser menos suscetível a dívidas e fraudes no futuro.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece ainda que o tema seja abordado de forma multidisciplinar, não se restringindo à matemática, mas combinada a questões sociais, políticas, culturais, ambientais e psicológicas, entre outras. Aprender sobre educação financeira é tão importante quanto aprender sobre conteúdos tradicionais. Afinal, esses conhecimentos serão usados durante toda a vida do(a) indivíduo e, com consciência financeira, poderá contribuir positivamente para o crescimento socioeconômico da população. A reflexão sobre o uso responsável de recursos também incentiva os(as) estudantes a debater sobre a distribuição de renda, desigualdade econômica e práticas financeiras que contribuam para sociedades mais justas.
Segundo o Programa Educação Financeira na Escola, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) recomenda que a educação financeira comece o mais cedo possível, na escola, contribuindo para formar uma sociedade com bem-estar financeiro de maior qualidade.
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Experiências pedagógicas – Territórios do Saber
A expansão curricular na Educação Integral é oferecida por meio dos Territórios do Saber, propondo experiências pedagógicas que integrem o cuidar e o educar em diferentes ambientes, priorizando a exploração e a investigação articuladas à intencionalidade docente para promover a formação integral dos(as) estudantes.
No Território do Saber “Consciência e Sustentabilidade Socioambiental, Economia Solidária e Educação Financeira”, as experiências são:
a) Horta e Educação Alimentar: culinária, educação alimentar e nutricional, alimentação, saúde, jardinagem;
b) Sustentabilidade e Consciência Econômica, educação fiscal, economia solidária, educação financeira, consumo consciente.
Fonte: SÃO PAULO, 2024.
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2. Dicas práticas
Sugerimos algumas estratégias pedagógicas que podem contribuir com a articulação dos Territórios do Saber aos potenciais educativos do território. Os mapeamentos realizados pelas escolas são uma referência para o planejamento de Trilhas de Aprendizagem que estejam contextualizadas a partir de diferentes realidades e que potencializam a vivência dos estudantes durante a exploração de locais e diálogo com os saberes locais.
- Identifique e acesse locais e pessoas de referência no entorno da escola, pois essa poderá ser uma boa estratégia de preparação para a exploração de potenciais educativos;
- Organize grupos reduzidos de modo a ter mais segurança durante a circulação dos(as) estudantes;
- Convide os(as) familiares para apoiarem as saídas, afinal a experiência de ocupar a cidade é para todos(as);
- Pesquise sobre grupos e pessoas que trabalham com os temas de preservação ambiental e economia solidária no território e os convide para um bate-papo com os(as) estudantes;
- Faça um levantamento de interesses prévios dos(as) estudantes acerca dos temas, aproveite para conhecer melhor o grupo e estimular a curiosidade;
- Convide os(as) estudantes a pesquisar sobre rios/afluentes que estiveram ou estão próximos ao território e as mudanças ocorridas no último século;
- Promova estudos do meio para identificar características naturais do território, fauna, flora e biodiversidade;
- Promova uma visita a uma estação de tratamento de água e a reflexão sobre o tratamento e a economia no abastecimento de água;
- Incentive que os(as) estudantes identifiquem e proponham soluções para desafios ambientais no território;
- Pesquise o padrão de consumo local. Esse pode ser o diagnóstico para elaboração de projetos de intervenção na comunidade;
- Realize caminhada para identificar locais de descarte de lixo e ecopontos, problematize a separação e a reciclagem de insumos, o descarte de produtos tecnológicos e medicamentos;
- Realize caminhada no território para a observação e análise crítica da publicidade em diálogo com o consumo consciente;
- Pesquise locais de plantio de hortas no território, promova uma visita e discussão sobre hábitos alimentares;
- Incentive práticas solidárias e cooperativas, como feiras de trocas, hortas comunitárias e oficinas de reaproveitamento de materiais;
- Organize uma campanha de conscientização socioambiental com os(as) estudantes sobre os temas identificados como mais relevantes no território;
- Favoreça a discussão sobre consumo consciente e responsável por meio da identificação dos padrões de consumo dos(as) próprios(as) estudantes.
3. Passo a passo:
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1º passo: Planejar
Este é o passo inicial para a elaboração do planejamento docente da trilha, ou seja, as iniciativas que irão anteceder as atividades com os(as) estudantes. Para esta etapa, sugerimos algumas ações importantes:
- Explorar o mapeamento dos potenciais educativos do território. Esse pode ser o tema de uma reunião/formação coletiva de planejamento;
- Levantar com a equipe docente o que já conhece ou ainda não a respeito dos potenciais educativos do território;
- Organizar a atividade de formação em espaços do território. Essa é uma boa oportunidade para proporcionar vivências práticas que aproximem a escola do território;
- Por fim, acessar a Estante virtual, que reúne materiais, como livros, pesquisas, publicações, vídeos, podcasts, entre outros, que podem auxiliar as ações nos territórios
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2º passo: Explorar
- Apresentar para os(as) estudantes a proposta de realizar uma trilha para explorar os potenciais educativos do território a partir do levantamento de temas de interesse;
- Após o levantamento inicial dos temas, identificar o quanto o grupo sabe a respeito dos assuntos. Nesse momento, o(a) professor(a) poderá agrupar os temas, criando conexões entre os assuntos e estimulando, a partir da elaboração de perguntas, as possibilidades de investigação dos temas;
- Selecionar conjuntamente com os(as) estudantes o tema da trilha e definir as ações que contribuam para sensibilizá-los(as) para o tema em conexão com atividades já desenvolvidas;
- Explorar os livros que a escola já possui em sua biblioteca e sala de leitura;
- Exibir vídeos;
- Apresentar uma seleção de potenciais educativos que fazem parte do mapeamento.
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3º passo: Vivenciar
Nesta etapa, os(as) estudantes irão construir coletivamente um mapa de interesses a partir dos locais e pessoas identificados na etapa anterior. A ideia é elaborar perguntas, estimular a curiosidade acerca dos potenciais elencados e levantar as informações necessárias para a realização dos agendamentos das saídas e conversas.
É importante que, nesse momento, o(a) professor(a) realize os planejamentos a partir dos objetivos e resultados esperados para os Territórios do Saber, que precisam estar em diálogo com o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, o Currículo da Cidade – Matriz de Saberes e os ODS.
Atenção: Não se esqueça de registar todas as etapas com fotos, vídeos, desenhos, diários de bordo e depoimentos. Esses registros são importantes para a próxima etapa.
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4º passo: Disseminar
Após a circulação nos espaços, encontros e conversas, os(as) estudantes precisam organizar e analisar as informações levantadas. É o momento de estruturar uma forma de apresentar para toda a comunidade escolar o que aprenderam na prática a partir da trilha realizada. Explore diferentes linguagens como exposições, painéis, intervenções, eventos temáticos, performances, rodas de conversa com convidados etc.
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5º passo: Avaliar
Nesta etapa final, gestores(as), professores(as) e estudantes refletem sobre o processo de planejamento e execução da trilha. Essa ação é importante para garantir a qualificação das práticas educativas a partir de diversas vozes. A avaliação compartilhada é um movimento formativo do qual todos(as) participam e constroem percepção comum acerca dos aprendizados e desafios enfrentados.
- Agendar dia para realizar a avaliação. É importante reunir todas as pessoas envolvidas direta e indiretamente na atividade: estudantes, professores(as) e gestão.
- No dia da avaliação, o(a) professor(a) faz uma linha do tempo, relembrando todas as etapas da trilha. Em seguida, realiza rodadas de perguntas para os(as) participantes. As percepções relatadas devem ser registradas para que todos(as) possam visualizar os pontos abordados. A seguir, algumas sugestões de perguntas:
- O que aprendemos de novo nesta trilha?
- Quais foram os desafios? O que não deu certo?
- Como enfrentamos os desafios? Quais foram as novas ideias que surgiram durante a execução da trilha?
- Como podemos melhorar? O que podemos fazer diferente nas próximas trilhas?
- Quais ideias de temas, de percursos e de novos potenciais educativos a serem explorados em novas trilhas?
Nesse momento, é fundamental que o(a) professor(a) faça conexões com outros temas/ações/projetos que estão em curso na escola e relacione os resultados alcançados com as demais áreas do conhecimento.
Aproveite todas as reflexões geradas para promover novas discussões acerca do desenvolvimento do Programa São Paulo Integral na escola, considerando as bases da educação integral e a implementação de práticas a partir da vocação da unidade escolar e do território.
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Importante
- No início do planejamento da trilha, passos 1 e 2, realizar o agendamento prévio, pois a articulação em muitos espaços é demorada.
- Durante as saídas, garantir a segurança dos(as) estudantes com identificação (crachá/uniforme).
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: bit.ly/49iM638.
ESCOLA DE CIDADANIA DO CENTRO DE ASSESSORIA MULTIPROFISSIONAL (CAMP). Cartilha Economia Solidária – Alguns Conceitos Básicos. Porto Alegre: CAMP, jul. 2017. Disponível em: bit.ly/3Y7dVZn
JORNADA EDU. Qual a importância da educação financeira nas escolas?, 2023. Disponível em: bit.ly/4eCCAum
KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
PROGRAMA EDUCAÇÃO FINANCEIRA NA ESCOLA. Como está a Educação Financeira dos Jovens Brasileiros? Disponível em: bit.ly/4dpYH65
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação (SME). Instrução Normativa SME nº 25, de 29 de agosto de 2024. Amplia a abrangência do “Programa São Paulo Integral – PSPI”. Diário Oficial do Município de São Paulo, São Paulo, 29 ago. 2024. SEI 6016.2024/0116056-7. Disponível em: bit.ly/3Bu2z96.
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação (SME). Programa São Paulo Integral: experiências pedagógicas nos Territórios do Saber. São Paulo: SMECOPED. Disponível em: bit.ly/3XOon6H
SÃO PAULO. Prefeitura de São Paulo. Currículo Digital da Cidade de São Paulo. Disponível em: currículo.sme.prefeitura.sp.gov.br.
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Educação Integral: política São Paulo educadora. São Paulo: SME/COPED, 2020. Disponível em: bit.ly/47meMY4.
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